O navio inglês “Prince of Wales”, pivô da chamada “Questão Christie”.
Há mais de duzentos anos, nos Campos Neutrais, bandoleiros colocavam tochas em chifres de bois para simular a existência de faróis sinalizadores e desviar os navios de suas rotas. Assolados por ventos fortes, ondas enormes e por bancos de areia traiçoeiros, dezenas de navios não resistiam e naufragavam ou encalhavam na beira da praia, tornando-se presas fáceis para os grupos armados que aterrorizavam essa terra de ninguém. As praias de mar aberto por onde antes perambulavam os bandoleiros estão tomadas hoje por aves migratórias que atravessam o continente para escapar do frio do Hemisfério Norte, criando um tapete de vida de rara beleza. Mas os perigos do mar continuam, justificando a fama de cemitério de navios, que atravessa os séculos. Nos 267 anos de história do Rio Grande do Sul contam-se ao menos 270 naufrágios em sua costa, que são mais comuns justamente nesta época, quando os ciclones agitam o mar, levando perigo para navios de todos os portes. — Há uma clara relaç...