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Paulo Rogério De Mari Casagrande

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Página no Facebook mostra a São Paulo que muitos não enxergam

O morador de rua que pede alguns trocados na saída do metrô é pai, tem boas lembranças de sua infância e um time de coração. A mulher que cata latinhas também tem sonhos, conta piadas e tem até um ator de TV favorito. Ou você nunca parou para pensar que essas pessoas, que vivem às margens das grandes cidades, também são gente?
Incomodados com a capa de invisibilidade com que a sociedade encobre essas pessoas, o estudante de jornalismo Vinícius Lima, 18, e o estudante de cinema André Soler, 20, decidiram usar o Facebook para contar a história dessas pessoas e mostrar a São Paulo que muitos não enxergam, por meio da página SP Invisível.
Ao andar pelas ruas da capital paulista, a dupla e mais dois colaboradores conversam com catadores e moradores e artistas de rua para conhecer suas vidas, suas perspectivas e entender como eles vêem o mundo. A partir dessa entrevista, é criado um texto em primeira pessoa, que é postado junto a uma foto da pessoa.
Ao mostrar a vida dessas pessoas que vemos mas não enxergamos, a SP Invisível nos torna mais sensíveis, mais atentos. Afinal, a história que você lê é a vida de quem está do outro lado, quando você fecha o vidro do carro, quando você anda mais rápido e olha para frente.
Jorge Morais, 63 anos, morador de rua
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“Não bebo, não fumo…, na rua é um sossego, não mexo com a rapaziada, respeito pra ser respeitado. Todos os dias faço minha oração, corro uns 45 minutos, vou olhar uns carros pra ganhar um trocado, almoço na faixa em qualquer lugar da região porque o pessoal dos restaurantes me respeita, volto pro trampo, faço uma oração e vou dormir. “
Bruno, 24 anos, morador de rua
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“Na rua não existe parceiro, às vezes você bebe e dá risada com o cara e quando vai dormir, o cara te rouba. Só que eu acredito que educação vem de berço, por mais que tenha uns que tão nessas, meu corre é sempre adiantar os outros, nunca atrasar.”
José, 42 anos, morador de rua e cadeirante
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“Na rua é difícil, sofro um preconceito danado. Como eu trabalho no farol, as pessoas me maltratam, fecham o vidro, acham até que eu sou ladrão!”

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