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Paulo Rogério De Mari Casagrande

domingo, 30 de março de 2014

Eles mentiram sobre Curitiba, Jaqueline Ribeiro




Poucos locais me surpreenderam tanto quanto Curitiba.
Pare tudo o que você estiver fazendo, procure em sua mente o arquivo que diz que curitibanos são antipáticos e delete. Só posso falar do agora, mas, certamente já faz algum tempo que esta percepção não procede, só não disseminaram o contrário com a mesma intensidade com que falam aos quatro cantos o quanto o curitibano é nariz empinado.
Não sou nem um pouco suspeita pra falar, porque eu nunca quis morar aqui, não conhecia ninguém de Curitiba e, só no final do ano passado, fui descobrir que tinha parentes aqui. Ou seja, estou livre de qualquer tipo de coerção sentimental em relação à cidade.
Por motivos que não vem ao caso, eis me aqui, vivendo nesta cidade até sabe lá Deus quando. Mas é claro que se eu puder escolher, pretendo ficar. Poucos locais me surpreenderam tanto quanto Curitiba. Primeiro porque eu sou das que tinha em mente a famosa percepção de que curitibanos não são sociáveis e blá blá blá, e segundo porque, antes de vir pra cá, morei quase um mês em São Paulo. A diferença entre os dois lugares é gritante e acho válido compartilhar minha percepção para que os próprios curitibanos se sintam sensibilizados e passem a valorizar um pouco mais o que o município oferece.
Quem já esteve no trânsito de São Paulo ou no Rio tem que concordar que, neste aspecto, Curitiba está no céu. A questão aqui não é concluir se curitibano dirige bem ou mal, mas sim a paciência com que lidam com a lentidão do tráfego e com as barbeiragens do motorista da frente. É impressionante e lindo como os curitibanos pensam duas vezes antes de “carcar” a mão na buzina! Nas capitais acima citadas, rola quase que uma sinfonia de buzinas no trânsito, um verdadeiro caos. Fica até fácil de entender porque é que as pessoas de lá são tão intolerantes, estressadas e apressadas. Ou seja, ponto para Curitiba!
Credito mais uns pontinhos ao povo daqui graças à cobradora de ônibus que, logo nos meus primeiros dias na cidade, puxou assunto comigo e envolveu na conversa mais três, TRÊS passageiras aleatórias que sentavam nos bancos próximos. A explicação para tal entrosamento só podia ser uma: não eram curitibanas. Mas pasmem, todas eram!
Ok, você pode ainda não estar convencido da simpatia do curitibano, mas eu vou defendê-los mais uma vez, agora em nome dos sorrisos e gentilezas que recebi ao entregar na rua panfletos de divulgação da empresa de uma prima minha. Em um mundo onde cada vez menos aceitamos panfletos na rua, você já imaginou um curitibano aceitando o papel, sorrindo e dizendo obrigado por tal ação? Pois é, meus amigos, eu recebi vários O-BRI-GA-DOS!
Aliás, além do “obrigado”, por incrível que pareça, o “desculpa” também faz parte do vocabulário da galera por aqui. Sim senhor, eles pedem desculpa quando esbarram em você! Em qual dicionário pedir desculpa é sinônimo de antipático? No metrô de São Paulo, por exemplo, esbarrar/empurrar pessoas é regra, não exceção. Em Curitiba, na maioria das estações/terminais, o pessoal faz fila para embarcar, minha gente, fila! Você já parou pra pensar no quão mais agradável é seu dia quando você não é pisado por alguém no caminho para o trabalho? Pois é, colega, tá na hora de prestar mais atenção nos benefícios de morar em Curitiba, principalmente se você não tem a escolha de sair daqui.
Como dizia minha avó, quem faz a cidade é seu povo, então se Curitiba anda muito antipática e sem graça para você, talvez seja hora de lembrar que você também faz parte desse bolo
!

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